domingo, 18 de setembro de 2011

Oração Pessoal a Amada Mãe Oxum

Amada Mamãe Oxum, de joelhos diante de vós eu vos saúdo respeitosamente e peço-lhe que aceite essa prece que brota de meu coração, onde peço por vosso auxílio e por vosso amparo em minha senda evolutiva. 
Mãe Oxum em minhas limitações humanas nem sempre consigo entender ou aceitar as provações e os obstáculos que se mostram em meu caminho e às vezes Mãe, sentimentos negativos como a mágoa, o rancor, a ira e a revolta; acabam por se fazer presentes em minha vida; peço-lhe então nesse momento Mamãe Oxum que me ajude a combater esses sentimentos negativos que só visam me derrubar nas trevas através do desequilíbrio emocional, atrapalhando minha evolução e me atrasando em minha caminhada rumo ao meu destino final que é a morada interna do nosso Divino Criador Olorum. 
Cubra-me, Mamãe querida, como o vosso manto sagrado do Amor Divino para que, coberta com ele, eu possa estar protegida e irradiada pelo vosso atributo sagrado; e assim poder trabalhar em minha reforma íntima e em meu melhoramento como um ser humano e um bem divino de Deus. 
Segure minha mão, amada Mãe; e me conduza pelo caminho do verdadeiro amor, aquele que é puro, cristalino e reluzente, livre de egoísmo, possessão, paixão desvirtuada, luxúria, obsessão e ciúme doentio. 
Ajude-me, Divina Mãe do Amor, a vibrar esse amor por Deus, suas Divindades e por toda Sua Criação, para que assim, vibrando continuamente esse amor, eu possa atrair para minha vida as coisas boas que estão predestinadas a mim pelo nosso Divino Criador. 
Permita Mamãe Oxum, que seus guardiões que trabalham e atuam à vossa direita e à vossa esquerda, possam me acompanhar nessa minha senda evolutiva, me incentivando a continuar, quando eu estiver fraquejando; corrigindo o meu curso, caso eu me desvie do caminho; protegendo-me, quando eu sofrer com o negativismo à minha volta; colhendo alegrias junto a mim, quando eu for virtuosa; porém Mãe, não permita que eu atrapalhe a evolução e caminhada desses vossos guardiões caso aconteça de eu falhar em minha missão terrena, que eles não venham a pagar por erros meus, mas que possam colher os bons frutos cultivados junto a mim. 
Mamãe traga o refrigério ao meu coração cansado e cure com vosso Amor Divino as chagas que por ventura ainda sangram. Peço perdão ao nosso Divino Pai Olorum e a vós amada Mãe do Amor, por todos os erros conscientes e inconscientes cometidos por mim no Sentido do Amor e humildemente peço pela chance e pela oportunidade de poder repará-los diante aos ditames da Lei Maior e Justiça Divina que também estão presentes em seu Trono Divino do Amor. 
Amo-te e agradeço-te por ser minha Sagrada e Divina Mãe do Amor e por estar sempre irradiando seu amor por mim, até mesmo nos momentos em que me mostrei indigna de recebê-lo. Peço-lhe Mãe bondosa, que vós em vossa generosidade, estenda essa benção a todos os seus filhos e filhas encarnados e desencarnados, que estejam precisando desse vosso auxílio divino e assim, abençoados pela senhora, possamos ser beneficiados conforme a nossa necessidade e nosso merecimento. Obrigada por ouvir minha prece. 
Amém! 

Juliana Velico – 18/09/2011 



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ter fé

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam; e a prova que se não vêem.” 
Hebreus 11:1 

A nossa vida nem sempre segue o curso que desejamos, nem sempre conseguimos conquistar aquilo que almejamos; nem sempre temos ao nosso lado as pessoas que queremos. É o dinheiro que falta, é um relacionamento que se acaba, um ente querido que se vai. As vezes são filhos que dão trabalho, decepções com amigos, familiares e até consigo mesmo. Temos nossas provações a passar, há aqueles momentos de revolta, choro, lamentações; raiva. Há aqueles momentos em que estamos prestes a perder a fé. 
Perder a fé no Alto, perder a fé na vida, perder a fé em nós mesmos, perder a fé em nossos semelhantes, perder a fé nos Sete Sentidos Divinos (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração), sim há esses momentos onde o desespero toma conta, onde a dor e o sofrimento falam tão alto que é impossível a nós, ouvir a voz da fé, aquela voz que brota de dentro e que sempre fala: “Mantenha-se na luz, persevere que tudo dará certo na hora certa”. 
Ao sufocarmos essa voz deixamos de ouvir as recomendações que vêm do Alto, aquelas que trariam o refrigério para nosso coração, o descanso para nosso cansaço; o alivio para nossa dor. Como podemos agir em situações assim onde tudo dá errado? Onde tudo parece conspirar contra nós? Somos humanos e por isso a dor, a decepção, a mágoa, o rancor, o choro e o desespero são inevitáveis, como então, manter a fé em situações assim? Fé é um exercício contínuo que dura toda nossa existência, acreditar que tudo tem sua hora, que nem tudo o que queremos era pra ser nosso, acreditar que há um Poder Maior que nos rege e que nos guia, crer sem ver; simplesmente ter fé, esse é um dos maiores desafios de nossa vida. 
Ter fé em nós mesmos, pois nesses momentos de desespero é comum nos sentirmos pequenos, insignificantes, inúteis até; mas acreditar que nosso Divino Criador tem um plano para cada um de nós e que somos importantes para Ele, nesses momentos chega a ser quase impossível. Todos temos nosso papel a ser desempenhado nessa vida, coisas que precisamos fazer, aprender, ouvir, ver; viver. Ninguém sofre ou é feliz no lugar do outro. Como acreditar nisso tudo com o desespero batendo em nossa porta? 
Chore o que precise chorar, coloque tudo para fora e desabafe; depois recolha-se para dentro de si mesmo e ore, abra seu coração ao Alto, entre em comunhão com as Forças de Luz, faça isso incansavelmente, até que sua fé esteja novamente maior do que teu sofrimento, até que a dor não sufoque mais a voz da esperança, até que o cansaço não sabote mais a perseverança. 
É tão fácil ter fé quando tudo está bem e é por isso que precisamos manter essa mesma fé nos momentos difíceis, creio que a chave disso tudo é a comunhão com o Alto e a oração é um ótimo canal para se conseguir isso, através da oração nos ligamos ao Divino, o Sagrado; à Luz e assim somos irradiados, nos elevando e nos iluminando, afastando da nossa volta toda escuridão que tenta nos tirar a fé. Cabe a nós decidir se nos entregamos ou se lutamos. 
Fé; algo tão simples, mas que complicamos; algo tão singelo, mas que nos dá forças para seguir adiante; algo tão luminoso, mas que pode se apagar se nos descuidarmos. Ter fé deveria bastar a todos nós em todos os momentos de nossa vida. Ter fé o principio de tudo, pois aquele que acredita vence. 

“Acreditar naquilo que é possível, não é fé, mas simples filosofia.” 
Thomas Browne.


Juliana Velico - 15/08/2011


domingo, 24 de julho de 2011

Justiça e Julgamento

"Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós."
(Mateus, VII: 1-2).

Um dos atos mais comuns nessa vida é o de julgarmos o nosso semelhante. Se atentássemos um pouco mais e parássemos para refletir sobre essa máxima bíblica, conseguiríamos enxergar que nada somos para que julguemos alguém.
Todos, sem exceção de ninguém, já cometeu alguma falha nessa vida, algum erro do qual não se orgulha, alguma atitude da qual se arrepende. Se não cometeu ainda, com certeza uma hora ou outra, irá cometer. Há vários “tipos e graus” de erros; materiais, espirituais, erros que cometemos contra nós mesmos e/ou contra nossos semelhantes.
Mas não quero falar sobre os erros e sim falar sobre o hábito que o ser humano tem em julgar. Hábito esse que acaba por nos meter em situações muito complicadas e desagradáveis; estamos vivendo numa época em que os seres humanos acabam se esquecendo de como é realmente “ser um humano”; época em que temos (na teoria ao menos) o encurtamento das distâncias físicas, graças à televisão, rádio, telefone e internet, formas de comunicação que supostamente aproximam as pessoas, pois não importa se você mora no Brasil e teu amigo está no Japão hoje é muito mais fácil, rápido e prático manter contato com alguém.
Mas e o “contato” mesmo? O toque? A convivência? A proximidade? Onde é que nessa vida moderna de hoje de “encurtamento de distâncias”, temos tempo e disposição, para tudo isso?
Hoje em dia mal conseguimos conhecer a nós mesmos, uma prova disso é que sempre ouvimos a Espiritualidade nos pedindo que façamos uma reforma íntima, costumo comparar essa reforma à transição da lagarta para borboleta, todos precisamos de nossa crisálida para realmente descobrimos quem somos. E essa crisálida pode ser na forma de um recolhimento pessoal, o amparo dos Guias Espirituais, conselhos de amigos que estão a nossa volta, enfim, há várias maneiras de se tecer a nossa crisálida, basta querer.
Pois bem, o que será que reforma íntima tem a ver com julgamento? Eu digo que tudo, tem tudo a ver. Como é que podemos julgar nosso próximo se não conhecemos nem a nós mesmos, para que nos julguemos em primeiro lugar? Como é que podemos julgar nosso irmão, se não sabemos o que se passa no íntimo dele? O que o levou a cometer erros, o porquê e quais foram ás circunstâncias no momento? Isso levando em consideração que a ofensa ou erro cometido tenha sido contra outra pessoa e não a nós mesmos, porque se o ofendido somos nós, aí a coisa muda de figura, pois nosso emocional acaba interferindo em nosso julgamento.
Não podemos nos esquecer nunca de que há os dois lados numa mesma moeda certo? Quem garante que amanhã ou depois, não seremos nós a errar? E aí, gostaríamos de ser julgados, apedrejados, humilhados e ofendidos ou gostaríamos de amparo, ajuda e uma segunda chance para retificar o que foi feito de errado? Ninguém é perfeito, se assim fossemos não estaríamos aqui, encarnados, e sim dentro da morada divina do nosso Criador, pois Ele é O PERFEITO. E justamente por ser Ele perfeito e onisciente, criou em Sua sabedoria, divindades que representam Seus sentidos (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração), e no sentido da justiça, para nós que somos umbandistas e seguimos o fundamento da Umbanda Sagrada, a divindade responsável por nos julgar (entre outras atribuições que envolvem esse sentido) é nosso amado Pai Xangô.
Se Deus em sua infinita sabedoria, criou um ser para essa tarefa, porque então nós, que somos simples humanos presos a um ciclo reencarnatório evolutivo, somos tão prepotentes a ponto de achar que temos esse direito? Pode parecer extremista a minha opinião pessoal, mas eu digo e repito: Nós não temos esse direito! Se tivéssemos seríamos todos Xangôs e não Julianas, Marias, Josés, Joãos. Não há quem seja capacitado nessa vida em julgar sem cometer injustiças, não tem como, pois uma hora ou outra ao julgarmos alguém cometeremos alguma injustiça, e aí seremos nós aquele que dessa vez errou.
Se errei, sou a primeira a me colocar perante a Justiça Divina e a Lei Maior, ajoelho, peço por orientação, peço por perdão e oportunidade de retificar meus erros. Se fui eu a injustiçada, a ofendida, eu também ajoelho e coloco nas mãos da Justiça Divina e da Lei Maior, e peço a Eles (que são a própria Justiça e Lei de DEUS) que tomem conta da minha vida e das situações que me afligem, peço aos pais Orixás que me ajudem conforme minha necessidade e meu merecimento e que Eles em suas onisciências divinas, identifiquem cada erro cometido por mim ou contra mim. Cabe somente a eles julgar e executar, não a mim, pois nem sempre o meu erro foi um erro e nem sempre a ofensa cometida contra mim foi uma ofensa, nunca se esqueçam da outra máxima muito famosa de uma das peças de Shakespeare, que nos mostra o quanto somos ignorantes em matéria de conhecimento e sabedoria:

“Há mais mistérios entre o céu e a terra, do que sonha nossa vã filosofia".

Daria até para completar um pouco mais essa frase, “há muito mais mistérios entre o céu e a terra, a terra e o embaixo, do que sonha nossa vã filosofia.”
O objetivo desse texto é para que atentemos ao fato de que o ato de julgar já se transformou em hábito em nossas vidas, e às vezes fazemos inconscientemente, sem ao menos perceber que estamos julgando alguém.
Claro que não estamos livres de realizar julgamentos, estamos sempre nos deparando com situações em nossas vidas que precisamos julgar: qual a melhor decisão a ser tomada, qual melhor caminho a seguir, qual melhor atitude a tomar; mas são “situações” e não “pessoas” a serem julgadas, é “algo” e não “alguém”. Da mesma maneira de que se há erros e há erros, também há julgamentos e há julgamentos, então para simplificar e resumir numa só frase eu digo o seguinte: meus irmãos, antes de julgarmos as atitudes e erros do próximo, paremos para pensar e refletir muito acerca dos nossos próprios erros e atitudes!

Juliana Velico - 30/06/2011